Fluido Vital e Princípio Vital
A origem do conceito de fluido na ciência e no Espiritismo
Na história das ciências e da filosofia, a palavra fluido sempre apareceu como uma forma de designar fenômenos cuja natureza ainda era desconhecida. Por exemplo, antes da compreensão do elétron, falava-se em fluido elétrico. O mesmo ocorreu com o chamado fluido da peste, e com o fluido magnético associado aos ímãs ou ao magnetismo humano.
Esse uso histórico da palavra fluido tem uma função prática: nomear um fenômeno mesmo quando sua natureza ainda não é compreendida. E foi exatamente com essa cautela e clareza que Allan Kardec empregou o termo na codificação espírita.
Kardec utiliza o termo fluido para se referir a uma matéria especial, manipulada pelos Espíritos e responsável, por exemplo, pela formação do perispírito. Trata-se de uma substância ainda não identificada pela ciência, mas cujas propriedades qualitativas são observadas nos fenômenos espíritas. Ele descreve tais propriedades, por exemplo, como sendo plásticas — moldáveis pela vontade e pensamento dos Espíritos.
O uso do termo “fluido” ainda é atual?
Sim. Ao contrário do que alguns possam imaginar, o uso da palavra fluido permanece atualíssimo. Isso porque ainda não se conhece a verdadeira natureza dessa matéria. Assim como o termo fluido elétrico foi substituído por conceitos mais precisos na física, o termo fluido, no contexto espírita, permanece válido até que a ciência avance e o substitua com base empírica.
A cautela de Kardec diante das classificações
Kardec foi muito prudente ao tratar da classificação dos fluidos. Ele mesmo adverte, já na introdução de O Livro dos Espíritos, que expressões como fluido vital, fluido elétrico animalizado, ou fluido perispirítico não devem ser interpretadas como substâncias distintas, pois a real natureza dos fluidos permanece desconhecida.
Segundo Cosme Massi, essa postura de Kardec evita confusão. Distinguir nomes sem conhecer a substância não traz ganho real ao entendimento. O que diferencia uma coisa da outra são as suas propriedades, e não os nomes que damos a elas. Dar nomes diferentes para a mesma coisa, sem saber sua essência, apenas aumenta a confusão.
O fluido universal e os fenômenos vitais
Kardec reconhece a existência de um fluido primitivo, denominado fluido universal, que estaria na base de todas as manifestações espirituais e materiais. Os fenômenos produzidos pelos Espíritos, o perispírito, e mesmo os processos vitais do ser encarnado, estariam ligados a esse fluido transformado.
Por isso, Kardec evita ir além do que se pode afirmar com segurança. Ele não especula sobre a composição dessa matéria, mantendo-se fiel ao método empírico e à lógica filosófica.
Princípio vital e fluido vital: qual a diferença?
A distinção entre princípio vital e fluido vital pode parecer sutil, mas é importante. O termo princípio indica a causa, a origem de algo. Assim, o princípio vital é aquilo que dá origem à vida. Já o fluido vital é uma das possíveis causas da vida, sendo uma forma material, ainda desconhecida, responsável por essa origem.
Alguns autores espíritas, inclusive Kardec em certos trechos, referem-se ao fluido vital como sendo o portador da vida, ou seja, como o próprio princípio vital. Outros admitem que o princípio vital pode ser apenas uma propriedade da matéria organizada. Kardec, por sua vez, admite ambas as interpretações em diferentes momentos da obra.
Conclusão: evitar confusão para compreender melhor
Cuidado com a multiplicação de termos. Dizer fluido perispirítico, fluido vital ou fluido universal não implica, necessariamente, substâncias diferentes. São expressões que designam uma realidade ainda desconhecida. A multiplicação de nomes pode nos levar à ilusão de que sabemos mais do que realmente sabemos.
Portanto, na ausência de conhecimento preciso sobre a natureza dessa matéria especial, o melhor caminho é seguir a prudência de Kardec: observar, analisar os efeitos, e aguardar que a ciência avance para elucidar a verdadeira essência do que hoje chamamos de fluido vital.
Este conteúdo foi elaborado a partir da exposição oral do professor Cosme Massi, disponível no YouTube.
Para assistir à explicação completa sobre fluido vital e princípio vital, acesse:
“Diferença entre fluido vital e princípio vital – Cosme Massi“